

Ser campeão é detalhe.
Um ex-aluno da UFV (que não sou eu) pode ir audaciosamente onde nenhum outro brasileiro jamais foi: a conquista de uma medalha de ouro no futebol, em uma Olimpíada. Ney Franco, que até então comandava o Coritiba, foi convocado pela CBF para coordenar as seleções de base e será o responsável por dirigir a Seleção Sub-20 no Campeonato Sul-Americano em janeiro de 2011, no Peru — competição que classifica quatro equipes para o Mundial da categoria, também em 2011, na Colômbia, além do principal: dá duas vagas para as Olimpíadas de Londres, em 2012.
É na quarta-feira. Foi ontem. É hoje. Será sempre. O Corinthians não precisa de data para celebrar. Só precisa de Corinthians.
Costa e Anastasia têm lá seus cabos eleitorais de peso: o presidente Lula (PT) e o ex-governador Aécio Neves (PSDB). Lula e Aécio são governantes bem avaliados pela grande maioria da população, e estão empenhados em eleger seus sucessores. Em uma comparação mais grosseira, Anastasia é “a Dilma do Aécio”. Mas, ao contrário de Dilma, o atual governador mineiro ainda é desconhecido de muitos eleitores. Meu palpite é que Anastasia ainda crescerá na preferência do eleitorado, e provavelmente continuará crescendo no segundo turno. Só não sei se a ponto de vencer. Outro trunfo do tucano é o apoio de prefeitos — a coordenação de campanha contabiliza um número superior a 600 prefeitos, dos 853 municípios do Estado.
No segundo turno (e, como já disse, acredito que a eleição irá para o segundo turno), pouco vai pesar o eventual apoio ou rejeição das forças derrotadas em 3 de outubro, já que nenhuma das demais candidaturas conseguiu se firmar como “terceira via”. Vai pesar mesmo é o empenho dos principais cabos eleitorais em questão: Lula, Dilma e Aécio (ele próprio candidato a Senador. Só uma tragédia com proporções bíblicas o impede de ficar com uma das duas vagas). Isso e, principalmente, o voto do eleitor em 3 de outubro. Provavelmente o vencedor terá pequena margem de vantagem sobre o adversário.
A campanha eleitoral do presidenciável do PSDB, José Serra, me parece a campanha de marketing lançada pela cervejaria Schincariol há alguns anos: a de pegar um produto com altíssima rejeição e mudar a imagem, radicalmente. Alguém se lembra do slogan "Experimenta! Experimenta!", usado para promover a Nova Schin? Pois Serra agora se apresenta como um produto reformulado: homem de origem humilde, chamado de "Zé" em seu jingle (que cita até mesmo, vejam só, Lula da Silva). A diferença entre o candidato e a cerveja (pelo menos na minha opinião) é que, ao contrário da bebida alcóolica, o candidato a presidente não tem nada de novo.
Viram o jogo do Brasil ontem? Viram o primeiro jogo da era Mano Menezes? Viram as estreias de Neymar e Paulo Henrique Ganso com a camisa amarela? Viram os gols de Neymar e Alexandre Pato, na vitória por 2x0 contra os Estados Unidos, jogando em Nova Jérsei? Eu não vi. Culpa única e exclusiva da Rede Globo de Televisão, que compra a exclusividade nos direitos de transmissão, e não exibe o jogo. Não exibe e não libera a transmissão para outros canais que tenham interesse em mostrar a partida, como a Bandeirantes ou a Record.
Kaká beija a Jabulani, Tom Cruise ganha uma camisa personalizada da Seleção Brasileira e Dilma Rousseff recebe uma cuia de chimarrão durante um comício em Porto Alegre. Esses três fatos, aparentemente sem qualquer relação um com o outro, têm duas coisas em comum: a primeira é que os três ganharam repercussão no noticiário nacional. A segunda: por trás deles estava um integrante do Custe o Que Custar (CQC), programa "jornalístico-humorístico" exibido pela tv Bandeirantes às noites de segunda-feira (com reprises aos sábados).
"I can get no satisfaction!"
Depois da recusa de Muricy Ramalho, a CBF convidou Mano Menezes para assumir o comando da Seleção Brasileira. Estou escrevendo esse texto pouco antes da entrevista coletiva em que Mano dirá se aceita o convite, ou o recusa (e atualizando o blog enquanto a entrevista está acontecendo, lá no Parque São Jorge). Como eu acho pouco provável que a CBF passe pelo desconforto de ter que correr atrás de um Plano C, parto do pressuposto que Mano Menezes, a exemplo do que fez Carlos Alberto Parreira no final de 2002, troque o Corinthians pela Seleção.
Seis jogadores nascidos no Brasil defenderam seleções estrangeiras na Copa do Mundo disputada na África do Sul: foram três no time de Portugal, um no Japão, um nos Estados Unidos, e um ainda saiu da África com uma medalha de bronze, conquistada pela Alemanha. Mas poderiam ter sido sete brasileiros, e o que ficou de fora teria pegado a baba do Casillas ao dar um beijinho na Taça da Fifa.
Mas o jogador tem no currículo um título de Campeão Mundial em torneio da Fifa. O meiocampista era reserva do Corinthians, campeão do mundo em 2000. Se estivesse no elenco espanhol que foi à África do Sul, Marcos Senna teria sido o segundo brasileiro a vencer a Copa do Mundo com uma seleção estrangeira. O primeiro foi Anfilóquio Guarisi Marques, o Filó, que jogou pela Azzurra na Copa de 1934 e foi campeão com a Itália. À época era atleta da Lazio, mas antes e depois da passagem pelo Calcio Filó também jogou no Corinthians, onde foi campeão paulista (em seu último ano como atleta, Filó foi para o arquirrival Palestra Itália, e também lá foi campeão. Antes do Corinthians, passou pela Portuguesa e pelo extinto Paulistano, do lendário jogador Artur Friedenreich). Deco e Liédson, dois dos brasileiros que jogaram a Copa de 2010 por Portugal, também já defenderam o time do Parque São Jorge (Liédson brilhou na conquista do título paulista de 2003, e a Fiel o apelidou de Liédgol e Liédshow), mas tiveram menos sorte no Mundial - os lusos foram eliminados pela Espanha, nas oitavas-de-final.
Shakespeare adoraria isso: a Copa do Mundo de 2010, disputada na África do Sul, foi um "espetáculo de som e fúria". Uma história que até pode ter sido contada por um louco, mas de forma alguma fica sem significado: o campeonato será lembrado eternamente, se não pelo futebol vistoso, pelo vasto folclore que passou pela terra de Mandela e por outros confins desse globo terrestre. Convenhamos, o quesito futebol até que ficou um pouco a desejar. Mas que também fique claro: houve bons momentos de bola rolando, seja pela técnica apurada de craques em momentos de inspiração, seja pela força de vontade de superar tudo em nome da vitória.
Em primeiro lugar, vamos falar de quem conquistou o primeiro lugar. O título inédito espanhol é a coroa definitiva de uma geração que já havia vencido a EuroCopa em 2008 e queria se afastar de vez do estigma de não mostrar serviço na hora decisiva (e se a Espanha finalmente venceu a Copa do Mundo, agora ninguém deve duvidar que o Corinthians também pode vencer a Libertadores!). "La Roja", a vermelha, é a campeã com todos os méritos (apesar da menor média de gols entre os times campeões, apenas 8 tentos em 7 jogos), e o capitão Casillas, melhor goleiro do mundial, tem carta branca para beijar a Taça Fifa e a namorada jornalista. Mesmo vencendo o campeonato com a camisa azul, o segundo uniforme, na hora de erguer a taça os espanhóis fizeram questão de usar o traje tradicional, e já com a estrela de campeã. O apelido de Fúria já está em desuso na Espanha, e a nova identidade, focada na cor vermelha, está dando sorte até agora. Outro destaque espanhol é David Villa, que terminou na artilharia da Copa com 5 gols, empatado com outros três semifinalistas: o vice-campeão Sneijder (pela Holanda), o medalha de bronze Müller (Alemanha) e o representante do quarto colocado, Forlán.
Mesmo com quatro artilheiros, o troféu de Chuteira de Ouro tem dono: Müller, que fica com o troféu por causa do maior número de assistências (três). Aos 20 anos, o alemão faturou outro prêmio individual, o de revelação, o melhor Jogador Jovem da Copa. Forlán teve um "prêmio de consolação" ainda melhor: a Bola de Ouro. O uruguaio ficou com o título de melhor jogador do Mundial, confirmando o renascimento da Celeste Olímpica, após 40 anos de ausência entre os quatro melhores colocados.
Outra "figurinha" que se destacou foi o alemão nascido na Polônia, Miroslav Klose: com 4 gols, chegou a 14 em todas as Copas que disputou (2002, 2006 e 2010), e se igualou a Gerd Müller como maior artilheiro alemão em Mundiais. Poderia ter feito ainda mais, mas esteve fora de dois jogos: cumpriu suspensão pela terceira rodada da primeira fase, contra Gana (por ter sido expulso na derrota diante da Sérvia, no jogo anterior), e também não jogou a partida pelo terceiro lugar, contra o Uruguai. E que bom que não fez mais: o maior artilheiro de todas as Copas ainda é Ronaldo Nazário, o Fenômeno, com seus 15 gols marcados (em 1998, 2002 e 2006).
Uma das piores coisas que uma pessoa pode fazer na vida é não seguir o próprio conselho. É mais ou menos a moral da história daquele velho ditado do "escreveu e não leu, o pau comeu". E eu caí nesse erro: depois da derrota alemã contra a Sérvia, ainda na segunda rodada da fase de grupos, eu afirmei aqui neste blog: "Não dá para confiar na Alemanha". Depois das goleadas germânicas sobre Inglaterra e Argentina, eu entrei em contradição e apostei: "Pintou a campeã". Aí sim, fui surpreendido novamente (pérola zagallistíca), já que a Alemanha jogou hoje, contra a Espanha, o mesmo que havia jogado contra a Sérvia: nada. O resultado também foi o mesmo, 1x0 (o gol de hoje vai para a conta do zagueiro Puyol, de cabeça, após escanteio). Pelo menos o Klose não fez mais nenhum gol - e tomara que também não faça sábado, na disputa de terceiro lugar, deixando em paz o recorde de Ronaldo, que com seus 15 gols é o maior artilheiro de todas as Copas.
mata-mata, contra a Eslováquia e contra o Uruguai. A Holanda só não foi vazada depois dos 45 do segundo tempo contra o Brasil (e nas outras duas vezes eu estava acertando o palpite, não fossem os vacilos de última hora. Os holandeses já me devem duas tevês de LED, que eu poderia ganhar no Bolão Sportv!). Reforço de última hora: quem já gostou da paraguaia Larissa Riquelme prometendo ficar pelada se o Paraguai fosse às semifinais (e tirando a roupa, mesmo com a derrota), vai adorar saber que a atriz pornô holandesa Bobbi Eden prometeu fazer sexo oral em todos os seus compatriotas que a seguem via twitter, caso a Laranja finalmente fique com o título.
A Alemanha já se vingou nesta Copa de um grande erro cometido contra ela em um outro Mundial. Mas a mesma Alemanha pode ter de pagar o pato por ter sido a vilã em uma outra injustiça histórica.



O IDB entra em campo com a seguinte escalação:
Bruno Carvalho
Bruno Winckler
Danilo Macedo
Roberto Brasileiro Prado
Thiago Ferreira Coelho